sábado, 21 de maio de 2011

Medo de amar



Tenho medo de não ter tempo
Pra receber aquele singelo acalento
Tenho tanto medo de me perder
E quando, por fim, me encontrar
Perder a razão de viver
É difícil quando a gente quer sentir
Mas o coração não se abre pra deixar sair

Tenho medo do meu mundo acabar
E não mais te ver voltar
As vezes choro em silêncio
Um luto que vem e volta como vento
De algo que não sei
Mas insiste em não me deixar

Tenho medo da força do vento
Que vem me arrastando em volta do tempo
Carregando de mim o que queroamar
Trazendo de volta aquela lembrança
Envolvendo-me numa eterna dança
Naquele medo de amar

Bruniele Souza
21/05/2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Solidão



O encontro do medo com o escuro e o vazio
O nada sorri espreitando o vento frio
Não há toques, nem lembranças
Não há amores, nem esperanças

Noites sombrias, dias que não amanhecem
As pessoas umas das outras se esquecem
Caminhando sozinhas, querem fazer seu destino
Um mundo incompleto...faltam-lhe o carinho

O vale do nada e as flores do medo
Tracejam uma paisagem com desespero
O vento, de repente, perdeu a direção
No abismo profundo em que afundou o mundo
Não há lugar para o meu chão
Fiquei andando assim...sem rumo

Bruniele Souza
10/05/2011

sábado, 7 de maio de 2011

Verdade(S)


Por favor, não me deixe empurrar meu discurso arrogante
Eu não posso despir você daquilo que te faz sentir seguro
Teu conhecimento sempre foi  um agasalho constante
Diante do frio e da inospitalidade deste mundo

Eu só pensei que pra você ia fazer sentido
Eu não quis te deixar sentir a dor e o frio
Quando permiti que surgisse diante de ti o vazio
Daquela minha verdade enxarcada com o meu tom falido
 

Bruniele Souza
07/05/2011

sábado, 30 de abril de 2011

O poeta



Lá está um poeta
Dono de um olhar penetrante
Escrevendo uma palavra distante
Eu queria chegar mais perto
Mas eu não poderia...

Lá está um poeta
Debruçado diante de tantos livros
Vejo suas mãos sutis
Elas repousam humildes
Sobre um velho papel sem valor
Eu queria chegar mais perto
Mas eu não poderia...

Lá está um poeta
Um lápis negro clareia todo o quarto
Uma borracha desfaz logo os erros
Uns gestos amáveis
Um olhar em si mesmo
Eu queria chegar mais perto
Mas eu não poderia...

Lá está um poeta
Terminando o todo em parte
Aquele breve sussurro feito em arte
Respingando o suor em dor
E aquelas palavras em versos de amor
Iam sendo decantadas pela doçura em cor

Bruniele Souza
30/04/2011

Entardecer


Breve entardecer
Suave, fresco, avassalador
Uma brisa quente do sol que se foi
Misturada com aquele ar frio
Que traz consigo um suave ardor

Sinto falta daquele abraço
Daqueles que só você sabe me dar
Não quero que me esfrie
Não quero que me aqueça
Eu só quero aquele abraço
Que faz com que minha rota se desvie
Que faz com que você não me esqueça

Bruniele Souza
30/04/2011

domingo, 24 de abril de 2011

Ninguém viu



Está diante dos nossos olhos
Mas ninguém viu ou quer enxergar
Estão todos ali em reunião solene
A impunidade, a miséria, a crueldade...
O encontro fatal e todo mundo sabe em que vai dar
Cobertos com a capa da hiprocrisia
Rindo e zombando da pobre ingenuidade
Em meio aquela tão conhecida falsidade
Ninguém viu...

Tomaram uma venda e cegaram a justiça
Aleijaram o direito e sumiram sem deixar pista
Brincaram com nosso dinheiro, venderam a felicidade
Tornaram-na em moldes "perfeitos"
Um hipocrisia para corpos "bem feitos"
Tirando do ar toda a nossa liberdade
Ninguém quis saber aonde estava a verdade

E nós, um cão num cercado...
Sendo, por aqueles paletós, bem adestrado
Declarando a soberania aristocrática
Daqueles tão aplaudidos magnatas
A gente faz de conta que não vê
Eles sempre não sabem de nada
Mas fazer o quê?
Assim caminha a democracia da pátria

Bruniele Souza
25/04/2011

sábado, 16 de abril de 2011

Autenticidade

 
Eu quero me apoderar de mim
Num abraço, me segurar firme
E viver aquela história sem fim
Aquela que nunca virou filme
E eu não conheço nem o começo nem o fim
Mas mesmo assim, estou aqui no meio do mundo
A todo momento um trajeto cada vez mais confuso
Meu destino escrito como na areia de um deserto
Cada vento que sopra, molda-me de um jeito tão incerto
Que logo se desmancha e é levado para longe
De tudo aquilo que é seguro
E eu vivendo no meio do mundo
Me perdendo num falso ser, um absurdo!
Uma farsa que criei somente para ser aceito
Mas que em todo tempo eu o rejeito
Se eu sou de mim mesmo um suspeito
Por me ter matado sem ter direito
Que morra eu por não querer mais ser perfeito

Bruniele Souza
16/04/2011